passava correndo pelas árvores sendo invadida por feixes de luz solar rindo sem motivo quando fui subitamente surpreendida por um guarda-chuva em plena época de seca. ele era roxo, um roxo bem clarinho quase rosa, um pouco transparente, grande e tinha uma fita vermelha amarrada no cabo. começou a ventar forte e ele continuou estranhamente estático, igualmente aberto como se resistisse a tanto vento. fui até ele curiosa, tentando descobrir o que havia naquele guarda-chuva de tão especial que o impedia de sair voando como as folhas secas que o permeavam.
a fita vermelha continuava firme no chão quando a toquei. ela então como num passe de mágica, criou vida própria e se curvou para mim. sacudi a cabeça e me belisquei para me certificar de que não estava sonhando. não estava. estava bem acordada após me afastar do trabalho para uma caminhada na floresta na única companhia de Absolem em meus ombros. ele dormia enquanto o encontro acontecia. estiquei a mão tentando tocar o guarda-chuva até perceber que nele havia um campo magnético que repelia qualquer coisa que se aproximasse. compreendi sua inércia diante do vento. dei as costas e quando voltei a caminhar havia uma outra fita presa em meus pés. nela estava escrito:
nunca se esqueça de que até mesmo as coisas paradas estão sempre em movimento, dona Alice.
logo percebi que a fita havia sido escrita por Absolem que adorava me pregar peças e parei para ver se sentia algum movimento em mim.
- Certíssimo, Absolem!
alice
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